segunda-feira, 9 de agosto de 2010

ENTRE O QUEIJO E A CARNE DE SOL


Era pra ter nascido no Seridó pelo menos não seria um caduco cultivador da poética varzeana. Com muito atrevimento digo aos sedentos desta procela agropecuarista que o chão vai ficar preto se não cessarem a morte da caatinga. Gostaria de ser o doido de Caicó, bem metido a besta e chamar de nação o chão de aluviões que adentra as carnaubeiras. Gostaria de ser do Seridó como foi meu avô e minha avó, erguer as mãos com a bandeira como faz os ambientalistas. Se eu fosse do Seridó seria o protótipo de um justiceiro, teria na identidade a genuína fotografia sertaneja, cabra de peia, do matulão, das minas, das cabroeiras, do Royal Cinema tocado na Praça de Jardim pela banda de Cruzeta. Gostaria de ser do Seridó feito gota serena, seriema, catingueira, jurema e pau de angico sem ter medo de queimar o próprio couro, manta de bode pendurada num galho de cajazeira. Cantaria feito gavião peneira na cumeeira da Serra de Santana. Gostaria de ser do Seridó da gema e protegido pela santa padroeira, autentico vaqueiro dos pés rachados lá das malocas de Parelhas.

Zelito Coringa – 05/06/08

Um comentário:

Louudinhacn disse...

Ah, que honra!Amei o texto! Eu posso dizer que sou do Seridó. Estou entre o queijo e a carne de sol. De Currais Novos, terra de Sant'Ana, onde tem a melhor vaquejada do nordeste, cidade rodeada de serras. Engraçado... talvez ironia da vida... meus melhores amigos estão longe, não estão no Seridó, estão varzeando.