segunda-feira, 21 de agosto de 2017

ADALGIZA: EDUCANDO E TRANSFORMANDO PESSOAS.


Sua história teve inicio na zona rural do Vale do Assú, num pequeno povoado denominado de Vila de Santa Luzia, no ano de 1948, no governo de Eurico Gaspar Dutra, na qual era chamada de Grupo Rural pelo fato das aulas funcionarem na área rural do antigo vilarejo de Santa Luzia. O Grupo Rural, assim denominada a escola existente da época, não tinha o reconhecimento ou qualquer autorização decretada por lei. Este trabalho educacional foi iniciado pela professora Adalgiza Emídia da Costa. A partir de 1950, a atividade pedagógica foi reforçado com o trabalho das professoras Izabel Rodrigues de Melo e Dona Iracema Gondin.
Em 1975, foi construído um prédio na zona urbana, doação de um órgão Canadense, para o qual em 1976 foi transferido o ensino de toda a população estudantil de Carnaubais/RN e em reconhecimento ao trabalho desempenhado pela professora Adalgiza Emídia da Costa desde os tempos do Grupo Rural, tendo sido ela a primeira professora, surgiu o nome da atual escola do estado.
A escola passou a se organizar ainda na zona rural, quando entre os professores foi escolhida para a 1ª diretora a professora Maria Leonice Martins, que atuou na função por um certo período de tempo. Logo após a professora Maria das Graças de Melo Martins, que realizou seu trabalho como diretora na atual escola no período de 1972 a 1976. No ano de 1980 a mesma foi autorizada por lei com efeito retroativo a 1948 pela portaria de nº461/80 de 22/08/1980, por esse motivo a escola comemora seu aniversário de acordo com esta data.
Em 1990, dez (10) anos após o decreto que legalizou a escola como sendo instituição responsável pelo governo do estado, realiza-se a primeira eleição para diretor, fruto de uma luta instigada pelo movimento estudantil, na época representado pelo Grêmio Francisco Canindé de Araújo, um dos mais atuantes do vale, e por essa razão  a Escola Adalgiza foi a primeira, dentre  quatro previstas,  da 11ª Dired a ter eleição direta para diretor,  tendo como o 1º diretor eleito, o professor e historiador Nicodemos Cavalcante Dantas, atuando hoje na área empresarial da cidade de Carnaubais/RN. A partir daí a escola se consolidou no tocante a oferta de uma educação diferenciada e de qualidade, formando assim a sociedade carnaubaense que, dera inicio seu processo sistêmico-educacional no final da década de 40 (mais precisamente em 1948).

A Escola Adalgiza está geograficamente situada no centro da cidade, recebendo alunos oriundos das zonas rurais de norte, sul, leste e oeste e também da zona urbana, ficando ao entorno: Comércios, Mercado Público, Ginásio Poliesportivo, Farmácias, Igrejas (católica e evangélica), Associação do Artesanato Carnaubaense, Prefeitura, Câmara de Vereadores, Cartório, Hospital, Posto de Saúde, Posto de Combustível, Praça Central da Cidade com acesso a Avenida Principal (Abel Alberto da Fonseca). Em sua organização de ensino, atualmente a escola oferta o Ensino Fundamental dos anos iniciais e finais. Funcionando no turno matutino os anos de 1º a 5º ano e no turno vespertino com turmas de 6º a 8º ano.
 
Exerce em Carnaubais além da função sistematizadora dos conhecimentos humanos, a função educadora para a vida. Assim é a Escola Adalgiza e assim será no seu papel de “socializadora, envolvendo a difusão de valores e atitudes, cumprindo seu dever político-social.”
















HINO DA ESCOLA ADALGIZA
Letra e Música:  Roldão Henrique 
e Zelito Coringa

ÉS QUE SURGE AURORA RADIANTE    
COMO O SOL ASTRO REI A BRILHAR
ACORDANDO A MAIS BELA SINFONIA
DO QUERER, APRENDER E ENSINAR.
NESTE SOLO DE GLÓRIAS FECUNDO
NASCESTE DA SEMENTE BEM PLANTADA
E CRESCENDO EM CADA BOTÃO DE FLOR
OS FRUTOS DE TI MAÊ GENTIL ADORADA 
ADALGIZA MESTRE SENHORA 
NESSA HORA  EU RECONHEÇO 
O CORAÇÃO SEMPRE ESTUDANTE
Ó ADALGIZA QUERIDA ESCOLA
COMO APRENDIZ TE AGRADEÇO
POR ME FAZER SEGUIR ADIANTE
 SALVE A TUA HISTÓRIA E DEDICAÇÃO
ACOLHENDO TEUS FILHOS CARNAUBAIS
PREPARANDO O FUTURO PROMISSOR
DE CONQUISTAS, PRESENTE, AMOR E PAZ. (Refrão)
QUANDO ESCUTO A NOSSA VOZ
SINTO SUA MÃO NA MINHA MÃO
FICA MAIS FÁCIL ENTENDER A LIÇÃO
ACORDAR O SONHO DE TODOS NÓS. 
                                                                         
 Natal, de abril de 2014


ADALGIZA A Escola Pioneira


No ano 48
Ela foi inaugurada
Num pequeno lugarejo
E assim denominada
Em vila de Santa Luzia
Nossa terra abençoada

O trabalho começou
Por uma mulher guerreira
A professora Adalgiza
Foi a grande pioneira
Que nos idos de 50
Trouxe a escola primeira

E em cada ano letivo
O resultado aparecia
Reforçando a aprendizagem
Gostando do que fazia
Dona Iracema Gondin
Sua lição repetia

E seguindo no seu passo
Mostrando sabedoria
Abraçando a humildade
E os pés na cidadania
Não perdia a vontade
De ensinar com alegria

Junto à Isabel Rodrigues
Desbravaram essa trilha
Revezando a tabuada
Na palmatória e cartilha
Com carinho e respeito
Com atenção e partilha

O tempo prova que passa
E deixa escrito na gente
Carnaubais no passado
Carnaubais no presente
Deve assegurar que faz
O futuro condizente

Que o marco dessa escola
Ninguém pode apagar não 
Pois antes de ser cidade
Já ensinava a lição
Pra nosso povo aprender
No livro do coração 

Depois da cruel enchente
O ensino foi transferido
Vindo para a Zona Urbana
E em seguida garantido 
Com verbas do Canadá
O prédio foi reconstruído

O quadro se organizou
Com a primeira diretora
Dona Maria Martins
E após a professora
Maria Graças de Melo
Sendo a sua sucessora

O trabalho prosseguiu
Trazendo a modernidade
Passando a desempenhar
Provando capacidade
Maria do Céo Macedo
Dentro da nova cidade

Vários nomes assumiram
E em cada nova eleição
Com firmeza e competência
Coragem e disposição
Diretores, diretoras
Deram contribuição.

Das velhas vilas rurais
Em cima de caminhão
Era assim que chegava
Uma enorme multidão
De jovens carnaubaenses
Trazendo sonhos na mão

E em pleno 84,
O bastão foi repassado
À Zulmira que deixou
Com certeza o seu legado
Para Francisca Menezes
Que também deu seu recado.

Chegando os anos 90
Teve a marcante eleição
Direta que nós tivemos
E Nicodemos então
Com o Grêmio atuante
Assumiu a direção

A nossa lista é infinda
Dos talentos que passaram
Crescendo com o trabalho
Dos mestres que se doaram
Pra fazer acontecer
Vale o tanto que lutaram

Dona Nair com cuidado
Junto à Maria das Dores
Com Geralda e toda equipe
E a força dos professores
Fizeram metas previstas
Subir nos indicadores

Hoje tem mostra de arte
E tem o mais educação
Te quero lendo e escrevendo
Além de bola e pião
Pra fazer do Interfest
A grande comemoração

E o colégio sai na frente
Com livro e imaginação 
Promovendo a cultura
Não perde a motivação   
De enxergar o futuro
Com o aluno cidadão

Em 22 de Agosto
Com gosto se comemora
Com muita arte e leitura
Cada turma colabora
Não espera acontecer
Sabe que é chegada a hora

De mostrar toda a beleza
Que nós temos à vontade
Desfilando pelas ruas
Esbanjando liberdade
A juventude mais linda
Que enfeita nossa cidade

Como folha de caderno
Que se abre em cada mão
E como lápis que aponta
O sentido da união
Nos desenhos coloridos
Há um mundo em formação

E em cada sala de aula
A verdadeira subida,
Dentro dela descobrimos
Quem está comprometida 
Como família que aponta
Os degraus de uma vida.

E assim a nossa escola
Faz a vida de alguém
Ser mais bela e colorida
E quando a tristeza vem
O mestre que nos consola
Faz a gente querer bem

Hoje somos estudantes
Amanhã trabalhadores
Vamos todos festejar
Este dia com louvores
Com um sincero obrigado
Professoras e professores.

 Amanhece o novo dia
Cada um de nós se veste
Com a paz das carnaúbas  
Desse branco azul celeste
Nós pintamos em cordel
Sua história inconteste

Dessa escola que nos faz
Inspirados na leitura
Dos poetas populares
Clássicos da literatura
Escrever e recitar
Firmando desenvoltura  

Pra que fique na memória
Educacional da cidade
Adalgiza agradecemos:
Cada abraço de bondade

Que acolhe e nos garante
Que nossa vida estudante
Vai servir à humanidade


ZELITO CORINGA E EQUIPE DE ALUNOS




 

sábado, 12 de agosto de 2017

TRAJETÓRIA, DOCÊNCIA E MEMÓRIAS.

Primeira Professora: Vera Lúcia Fernandes da Silva, conhecida na comunidade do Pacheco como Vera de jorge.

                  No banco de areia começa sua trajetória e nos bancos da escola Dona Vera Lúcia Fernandes da Silva, natural de Ceará Mirim, deixa para nós um grande legado e é homenageada pelo amor incondicional a educação, pioneira na formação de pessoas da comunidade,  suas marcas de resistência são visíveis. Relata-se que, mesmo enfrentando dias muito difíceis de saúde e demais problemas, procurou lecionar com dedicação e responsabilidade. Procurou ser exemplo. Sua residência, uma casa simples, de taipa, era ambiente que acolhia as crianças dos diversos logradouros vizinhos, tinha alunos de melancias a mutambinha, era aluno que fazia gosto, como ela mesma nos conta enchendo os olhos de lágrimas. Naquela época, existiam poucas casas, todos se conheciam e se tratavam como sendo da família, os alunos eram diferentes dos de hoje, obedeciam aos pais, obedeciam aos professores, usava sua palmatória para realizar tarefas de matemática e leitura, soletrar acabava sendo um jogo divertido, cada aluno com um livro na mão tentava ler a palavra sugerida, se errasse levava bolo na mão, ensinou a todos os filhos de Chico Horácio,  ensinou a muitos que ali residem. Muitos....Órfã de mãe aos (9) nove anos de idade, ia completar em 30 de janeiro de 1958 e a mãe faleceu em 25 de janeiro do mesmo ano....faleceu de parto e seu pai em seguida casou-se novamente.
                 Logo que chegaram aqui, vindos de Ceará Mirim, moraram nas terras de Edgar Montenegro, a família do seu pai era natural de Carnaubais, mas a da mãe era de Serra de Araruna. Fez o logos, naquele tempo era o passe para ser professora, Era louca para estudar no Educandário Nossa Senhora das Vitórias em Assu, era o sonho das meninas estudiosas, relata que: se tivesse morado com seu pai a vida tinha sido outra, sofreu muito....emociona-se ao contar... Teve a sorte de encontrar no caminho da vida, pessoas boas como Dona Zulmira Bezerra de Siqueira e Francisquinha Macedo, gente bondosa e influente, que incentivaram na sua caminhada. A escola funcionou em várias casas de taipa, uma delas foi à casa de Chico de Gino, algumas foram erguidas de alvenaria, outras nem vestígios existem mais. Dona Vera ensinava em casa e recebia pela prefeitura mensamente até ver erguido o pequeno prédio da escola, Pe. José de Anchieta, na gestão de Giovanny Wanderley, iniciou com uma sala de aula, graças à luta de um grupo de jovens chamado “Jucrist” que se reuniam na casa do Sr. João Galdino, casa de taipa grande que dava para acomodar todos para as reuniões, lá discutiam sobre a necessidade de uma escola nessa comunidade, entre outras precisões... o professor Carlos Augusto foi pioneiro desse grupo, juntamente com o Professor Damasceno Neto, defensor da educação e de um novo prédio, essas reuniões surtiram efeito e através de muita pressão a escola foi organizada. Dona Vera com sua saúde fragilizada já não pode mais lecionar, sua filha chamada Maria da Conceição ficou ocupando seu lugar e ela por algum tempo ficou dando contribuição em outros setores da escola. Fez de tudo um pouco.
                   Até a legitimação do início do atual prédio, se evidencia, pelos seus relatos e pela forma carinhosa que relembra suas práticas, Dona Vera, não se recusava a colaborar nos demais setores da educação, se não podia estar em sala de aula por problemas diversos de saúde, especialmente alergias ao pó de giz. Estava ela em outro lugar da escola... Reforça que sua vida foi de muitas batalhas, mas venceu todas, casou e teve 13(treze) filhos. 10 homens e 03 mulheres, comtemplada hoje com 21 netos.
                   Com 28 anos de serviço, recebeu sua aposentadoria, lembra de forma  saudosa que ao receber a notícia veio junto um bilhete de Francisquinha Macedo, dizendo: “lamento que sua pasta agora vai para o arquivo morto”. Assim, Dona Vera conclui sua rotina de trabalho na educação. Relembra pessoas que também contribuíram com Pe. José de Anchieta como: Zulmira de Luiz Mendonça, Gracinha de Lelego, Ozineide, Lucília, Damasceno, entre tantos outros que serão citados e lisonjeados em outro momento.  

Josélia Coringa
(Fragmentos -Texto em andamento)

Secretário de Educação faz homenagem a primeira professora da comunidade.


sábado, 5 de agosto de 2017

RESGATANDO SUAS MEMÓRIAS.

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quinta-feira, 3 de agosto de 2017

LEMBRANÇAS E MAIS LEMBRANÇAS

Entrelaçando histórias

Hoje me bateu uma saudade, uma saudade danada daquele tempo de criança lá em Olho D´água, minha mãe, minha infância, minhas melhores lembranças...rígida e determinada, se algum de nós saísse da linha pegue péia, a palmatória era certeira. Meu irmão mais velho, sempre renitente, neto protegido e querido da minha vó paterna, vovó Tereza, menino sapeca, não gostava de estudar ou não gostava da professora D. Mirinha, viva D.Mirinha, que também foi minha....minha mãe o mandava p escola e ele voltava, era umas manhãs de vai e vem...a baixa de Sr Zé Ligança servia de sobe e desce para ele...ela dizia: você vai, e ele em silêncio retrucava, eu volto. Apanhava para crescer e acabava indo. Assim aprendeu a ler, na marra e nas diretrizes de D. Mirinha, que para completar minha mãe ainda reforçava, não dê moleza, aperte ele. Tínhamos receio da cruel matemática que nos obrigava a decorar a tabuada. Ai dos que titubeavam no momento do mantra entoado com respostas e perguntas da divisão. D. Mirinha, exemplo de professora alfabetizadora, inspira pessoas até hoje. Não conseguiu ainda deixar o ofício.  Dona Ildete, saudosa D. Ildete. é possível ouvir o som daquela voz firme perguntando: - três vezes três? E o coro em seguida respondendo: - nove. Num espaço improvisado na casa de Zé Cobra, levávamos o tamborete, porque não havia cadeiras suficientes, minha mãe comprou um exclusivamente para mim....Um belo dia meu Primo Mesinho, teimoso e cheio de dengo, tomou meu tamborete e rolou uma briga feia, ele me bateu, eu era mole... Depois fomos para 2ª série, já na prensa de Sr Francisquinho Tavares, que doou um espaço, chamado Prensa se Sr. Fransquim, para que D. Ildete pudesse ensinar.... E assim, sucessivamente até os nove, dez...Depois fui para o Entroncamento estudar com Dalvaci Antunes, no Princesa Isabel, no caminho para casa sempre tinha umas briguinhas entre eu, Cirlene e Lígia e Pitiquinho era quem amenizava... se as três se juntassem pode ter certeza, dava chafurdo...depois fui estudar com Venâncio no Colégio Camilo de Lelis Bezerra, no Alemão, lá era preciso chegar cedo porque não tinha carteira suficiente, o aluno mais travesso era Francisco Pelonha, o mais bonito também...ele tirava Venâncio de tempo, era suspenso e voltava mais danado...as vezes me obrigava a escrever as matérias dele...as vezes eu não achava ruim porque eu achava ele tão lindo...sabe aquele menino que encanta de tanta beleza...mas era horrível de comportamento. Venâncio também usava palmatória...
Que suador enorme nos causava a exposição daquela palmatória trabalhada artesanalmente, com superfície lisa, de extremos arredondados sobre a mesa da professora. D. Ildete. Quanta saudade daqueles tempos na escola! 
Dona Mirinha, Senhora Franzina, altiva, autoritária, sua forma de ensinar marcou toda uma geração. Minha mãe parecia sua discípula. Nossa! Em casa não era mole. Minha mãe era zelosa, e entre tantos desejos que havia em seu coração um deles era nos vê crescer, serem pessoas de bem, dizia que após isso Deus podia decidir sobre ela.  Criou-nos com muito capricho, em meio à pobreza éramos crianças admiráveis. Cabelos de anum, olhos de biloca....Pacatos e tímidos. Erámos tão tímidos que ao chegar gente na nossa casa à gente se escondia..se escondia mesmo, sem exageros. O caçula, esse, entrava de mato a dentro e só chegava quando se sentia seguro, tinha medo de gente! Rs.. Eu nem tanto assim... mas até hoje ainda sou chamada por um primo de menina maluquinha, a Maria maga, era tão maguinha que quase quebrava ao meio.

Mais eu estava mesmo era falando de educação...tempo de seriedade...Aqueles “algozes” do passado formaram-se, seguiram carreiras diversas, acima de tudo, tornaram-se gente com valores morais admiráveis. Graças a educação rigorosa e regrada da época. 

Havia regras naquele passado: nada de ir com unhas sujas, com uniforme sujo; meninos de meias e com calçado no pé, meninas com saias de pregas até dois dedos acima do joelho. Na década de 70 ainda se usava..! mas eu não alcancei essa época toda...Minha geração fervorosa foi a da final da década de 80 e 90. Geração Cazuza.  Oh! Como era bom!!! Namoro na escola? Nem pensar. Logo os pais ficavam sabendo. Só se fosse muito escondido...
Bendita imagem a daqueles estudantes diferenciados.  Sabia-se pelo jeito de quem era filho(a). Todo mundo se conhecia...qualquer ocorrido: vou dizer a sua mãe. A figura materna era respeitada. O pai nem se fala...Na verdade as mães sempre foram mais presentes...
Os funcionários eram poucos, alguns eram professoras, zeladoras e merendeiras ao mesmo tempo. Família, escola e sociedade caminhavam juntas pela formação das crianças. Havia, de fato, a preocupação com o futuro. Não era um clichê. Na época áurea da palmatória, os professores eram chamados de mestres, inspiravam e incentivavam. Oh! Saudoso Chico Maricas...era um professor amigo da minha mãe, saudosa Luzimar Coringa, professora dedicada...minha mãe era sociável, adorava conversar, tinha espirito de liderança na comunidade Olho Dágua, se descava pelo jeito dócil de ser, acolhedora, humana e irreverente, nos idos de 80, ela se mostrou uma mulher  a frente do sua geração... lembro-me como se fosse hoje, minha mãe estilosa, se descava também pelos belos cabelos pretos, feito índia...não os cortava com todo mundo, era vaidosa, minha mãe, sabia o que fazia... Furou a orelha em vários cantos, colocou brinquinhos e parecia uma adolescente revolucionária. E era mesmo, assim era seu espírito, de luta, de liberdade....Os anos 80 entraram para a história pela miscelânea de movimentos e a busca pela liberdade de expressão artística e social. O sucesso da música dessa época é tanto que boa parte das letras está na ponta da língua até hoje. Adoro Cazuza. Viva Cazuza! As suas canções atravessam gerações e tocam em temas atemporais como a política. Assim, bandas como Legião Urbana, Titãs, Barão Vermelho, Capital Inicial e Os Paralamas do Sucesso surgiam no cenário e revelavam compositores do nível de Cazuza, Renato Russo e Arnaldo Antunes. Só feras. Tempo bom demais... No meio dessa década  já estava na escola Adalgiza....(muito o que relatar)
Naquela época tinham plena liberdade de expressão. Podiam falar em sala o que hoje não podem mais, sob pena de incorrerem em discriminação, preconceito e outras tantas imbecilidades criadas pela ditadura do tal “politicamente correto”. 

Inspirados por esses homens e mulheres, alunos de ontem, assim como eu, meus irmãos, os filhos de Zé Correia, de Darita, de Maria de Osmar, de Terezinha de Zé Carias, de Dona Punina e Sr Faustino, nossa vizinhança era toda essa....geração que seguiram os mesmos passos sofrem agora da dolorosa desilusão. De cada uma dessas famílias saíram professores, Rosileide Xavier, Cirlene Guerra, João Correia, Neide, Maria Luiza, Aqueles mestres respeitados até pela condição econômica, nos inspirou e hoje somos servidores públicos. Vivemos entre duas escolhas: lecionar porque amamos ou sobreviver com a dignidade econômica de que precisamos.


Não bastasse o salário e um ambiente de trabalho por vezes insalubre, ainda lidamos com uma sociedade contemporânea repleta de sérios problemas de desordem moral. Nossas meninas estão vulgares e violentas; nossos meninos tão perdidos quanto elas. As leis de “estado-gagá” implantadas no Brasil reforçam a omissão de pais e o silêncios dos educadores. Tudo agora é assédio, preconceito e discriminação. 


Chegamos ao ridículo de considerarmos a competitividade tão nociva que a média escolar foi reduzida e as provas quase extintas para garantir a um “governo democrático” o discurso de que não há mais reprovação nas escolas. 


Os seres humanos fazem parte de um contexto social, onde realizam diversos tipos de ações que estão interligadas entre si, e que trazem resultados tanto para o sujeito que as exerce, quanto para toda a comunidade em que este sujeito vive. Por isso, suas ações devem ter uma busca intencionada, com objetivos determinados, definidos por sua própria natureza, para que esses indivíduos possam desenvolver habilidades que tenham equilíbrio entre a razão e os desejos, e claro, que tenha em vista um reto fim.  Eis a filosofia macintyreana indo para o ralo - pelo menos nas bandas da nossa Pátria Mãe Gentil cujo futuro é repleto de analfabetos funcionais. De corruptos que envergonham...
Por isso, MacIntyre propõe uma educação baseada nas virtudes. A virtude é uma qualidade humana adquirida, cuja posse e exercício costuma nos capacitar a alcançar aqueles bens internos às práticas e cuja ausência nos impede, para todos os efeitos, de alcançar tais bens.(MacINTYRE, 2001, p.321)

Josélia Coringa 03/08/2017

...Mais agora vou parar por aqui... e amanhã quem sabe retomo a esse texto contanto mais proezas daquele tempo.