terça-feira, 28 de outubro de 2014

Vamos ajudar a combater essa ALIENAÇÃO.

Combate a preconceito contra nordestinos precisa começar em casa e na escola


A onda de comentários ofensivos contra os nordestinos que se alastrou nas redes sociais logo após o resultado das eleições revela que o país não está dividido somente pela opção política, mas também por um preconceito latente, pronto para explodir diante da primeira oportunidade.

O que surpreende é que as redes sociais, embora sejam frequentadas por pessoas de todas as idades, são o espaço privilegiado dos jovens. Como então sonhar com mudanças, se uma parte importante da juventude, em vez de ousar e ir contra a corrente, apresenta a mais conservadora e grosseira das atitudes?

De onde vem tal preconceito, a estas alturas? Os caminhos que explicam são muitos e um deles passa pela educação recebida, tanto em casa como na escola.

Muitas vezes, até sem perceber, os pais podem ensinar atitudes preconceituosas às crianças menores. Quando, por exemplo, se referem a alguém pejorativamente como “aquele paraíba”, “o cabeça chata”, “o ceará”. Somados a outros adjetivos e comparações que a família possa empregar no cotidiano (“todo baiano é preguiçoso”, “o ebola só podia vir da África”, “só não gosto de argentinos”) e pronto, está fértil o terreno para criar uma cabecinha preconceituosa e xenófoba, presa aos estereótipos do século passado.

Mais tarde, na escola, o estudante pode acabar reforçando visões discriminatórias, como por exemplo com as mensagens (mesmo implícitas) dos livros didáticos. Neles, o Nordeste é quase sempre retratado como lugar pobre e de privações, onde se sofre pela seca. Pouca diferença se faz entre um estado e outro, como se o Nordeste fosse um amálgama sem identidades, definido só pelos mapas. O nordestino é descrito, até nas ilustrações, como migrante e retirante.

Em muitos livros didáticos vi uma imagem similar: o personagem maltrapilho desenhado sob um sol escaldante, a terra cheia de sulcos e aridez, ele com uma trouxinha, acompanhado de uma mulher grávida com outra criança no colo, e uma legenda explicando que “nordestinos partem em busca de melhor destino”.

Um certo livro escolar dá como título ao capítulo que fala do Nordeste “Penando na terra”, com imagens de seca e sertão. Enquanto isso, ao apresentar o Sudeste, o capítulo seguinte traz fotos de cenas urbanas, contextos industriais e desenvolvimento.

Esse discurso reforça uma suposta condição de inferioridade daquele que nasce numa “região-problema”, “afligida” por um fenômeno climático. Sugere passividade das populações e vitimização irremediável.

Nas festas juninas, que são das poucas ocasiões em que a cultura nordestina é trazida para o interior das escolas das demais regiões, as crianças são fantasiadas de um modo que ridiculariza o homem do campo. O “caipira” é caracterizado com a roupa remendada, sem combinar as cores, e lhe faltam dentes, ou dança com as pernas tortas. É a cultura urbana debochando da cultura rural.

Pouco se fala, no currículo escolar, da riqueza e da heterogeneidade da cultura nordestina, com sua música, danças, culinária, arte, manifestações religiosas, as belas festas populares, os grandes nomes da literatura, da política, da dramaturgia, da indústria, da educação, e da tantas outras esferas.

Qual seria o motivo de tanta agressividade nos comentários registrados contra os nordestinos? Talvez – é apenas uma hipótese – o fato de que nesta eleição, os “pequenos” e condenados ao esquecimento hajam tido um papel protagonista, o que colocou em xeque uma noção de hierarquia regional cristalizada por longas gerações.

Cabe a nós, pais e educadores, criar oportunidades para educar numa lógica diferente. Afastar os velhos paradigmas que rotulam regiões e seus habitantes. Estimular um modelo mental que combine mais com o mundo de hoje, das redes e interconexões, em que as pessoas precisam trabalhar em grupos multidisciplinares, aprender com as diferenças e interagir o tempo todo com empatia e respeito.


  G1

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

De uma coisa eu tenho certeza...

A festa foi na rua, não nos condomínios. Estou feliz! A democracia se comprova como o maior exercício da liberdade individual dentro do coletivo. Escrevo, ainda com uma certa ressaca desse estresse, da minha dedicação à campanha, do nervosismo, da ansiosa expectativa, da contagem progressiva das urnas e por fim do Carnaval eleitoral da vitória na Lapa ontem. Sob a chuva fina, o que comemorávamos ali? Quem eram aqueles silenciosos em plena noite carioca ouvindo as palavras da presidente que elegemos, com os olhos pregados no telão e às suas palavras? Não eram só petistas ou simpatizantes, nem eram só pobres e pretos. Via-se o híbrido brasileiro, a mistura da diferença, que é a gênese do Brasil. Havia mais: uma alegria contagiante de quem pensou no voto, de quem refletiu que, ainda que não esteja satisfeito com alguns rumos dessa administração, entendeu com clareza que é dentro desses vetores de inclusão e distribuição de justiça que queremos repensar esses rumos. Somos a 4ª economia do mundo. Não estamos tão mal. Mas não há legitimidade em um ranking de progresso econômico sem considerarmos a saúde, a educação, a segurança e a vida de todos que lutam e trabalham para a economia deste gigante Brasil. Foi a festa disto que vi ontem nas ruas. A ovação de um novo tempo, de uma vontade altruísta de um país, uma aprovação de uma evolução que estamos trilhando depois de tantos governos que nunca consideraram a existência das minorias em suas políticas públicas. Vale dizer que minoria aqui não se refere a número e sim à importância daquele grupo ou daquele tipo de cidadão no protagonismo de uma sociedade. O Brasil está se transformando. A coisa mais rara é ver uma negra ou um piloto nas tripulações brasileiras. Mas entre passageiros essa coisa já mudou na última década: eu sempre, nessa minha vida de mais de 20 anos nas pontes áreas nacionais, reparei que eu era a única negra das aeronaves. Ou eu ou um outro artista, um jogador de futebol, de vez em quando. E comparando pelas minhas andanças pelo mundo ficava mais gritante que era coisa daqui, fruto da nossa injustiça.
Nesse tempo de campanha em que me orgulho de ter influenciado na decisão de vários votos, conversei com muita gente, entre eles, taxistas, garçons, padeiros, pessoas que fazem o país funcionar, mas que geralmente eram invisíveis. Absolutamente todos afirmaram que agora podem andar de avião e visitar a família no Nordeste; trajeto que, quando rodoviário, custa 3 dias de viagem de ida. Todos deram seus testemunhos pessoais do quanto a cidadania tinha deixado de ser palavra de discurso para ser uma prática, tornando suas vidas dignas dentro da realidade. É verdade que nem sempre a fiscalização tem sido maravilhosa e isso o governo tem que reconhecer, mas não basta essa falha na fiscalização para comprometer o grande programa. Precisamos saber que o Bolsa Família exige que os filhos estejam na escola e, claro que um cidadão com suas questões básicas resolvidas, entra nas condições ideais para desfrutar dos saberes e da formação para o mercado de trabalho. Este é o Brasil do Pronatec, do Programa Juventude Viva, do Jovem Aprendiz. O próprio Bolsa Família foi elogiadíssimo no jornal Le Monde e é considerado o mais moderno programa anti pobreza do mundo, é a vanguarda internacional do combate a miséria num país desta dimensão. Sem preconceito, precisamos nos informar, procure saber o que há de bom e bem feito no país agora e o que você quer melhorar. Eis um Brasil diferente e que foi sonhado antes, desde obscuros tempos da ditadura. Houve gente que morreu para que estivéssemos nas ruas decidindo nosso futuro pelo voto. Com as divergências e os ânimos alterados, as pessoas se expuseram mais e aconteceu uma coisa que eu nunca tinha visto: os preconceitos assumidos a plenos pulmões. Pessoas falando contra o Governo, usando como argumento coisas esdrúxulas: “Pra que preto e pobre precisam de universidade? Daqui a pouco ninguém consegue mais uma empregada.” “Veja, Dilma está com aquele gay, o Jean Wyllys! Olha com quem ela anda!” ou Ah! Eu sou a favor da ditadura, sabe?! Eu nunca vi esse negócio de governar para pobre andar de avião!” “É claro que pobre vota na Dilma, se os porcos pudessem votar, votaria em quem dá lavagem para eles”. Diante de tais declarações polarizaram-se muitas vezes as discussões. Para quem tem um pensamento de sustentabilidade do sonho coletivo e dos sonhos de cada um dentro deste coletivo, essas declarações estarrecem, revelam o atraso, o retrógrado diante dos avanços atuais. Porém é a democracia que levanta este tapete, quem sopra essa poeira dali de baixo e faz com que essas vozes que nunca tiveram coragem para assumir seu pensamento elitista se sintam à vontade para falar. Quem defende a ditadura parece não saber que nela só pode falar quem concorda com o Governo. Quem não concorda morre. Só isso.
Tenho certeza de que esta eleição foi uma grande lição para a nossa adolescente democracia, que acho que, com essa acaba de viver o seu primeiro menstruo, e que um dia será uma linda mulher. A mulher que hoje a representa é Dilma Rousseff, das manifestações do Brasil que saiu as ruas, viam-se bandeiras onde estava estampado o nome dela. A bandeira era ela. Aquela de coração valente que não foge à luta e não tremeu diante da artilharia da mídia, de grande parte dos que mandam nessa sociedade rica brasileira e das forças políticas que se juntaram contra ela e seu projeto. Dizem que o país está dividido por causa da vitória apertada, mas eu não vejo assim. Conversei com muita gente que votou no outro candidato porque não estava entendo direito, não havia refletido ,e me disse isso com clareza depois. Podemos e devemos discordar, discutir ideias para se chegar a um consenso do que queremos em relação a vários temas fundamentais para o nosso presente futuro, no entanto, faz-se urgente a necessidade de uma educação para crianças e adultos, uma espécie de campanha que faça o país reconhecer-se em sua diversidade, sem tantos sectarismos ou racismos, homofobismos e outros ismos que atravancam o progresso. Elegemos uma presidente e entre seus eleitores há um povo mais consciente, mais maduro, mais interessado no próprio destino; há uma juventude esperta que voltou a acreditar na política, e que lotou a Cinelândia ontem à noite no Rio e em várias regiões do país; há uma gente pensante, inteligente que, como povo, vai querer governar com a Dilma e seus representantes, uma gente que vai pressionar o congresso, uma gente que não vai tolerar corrupções sem punições, que vai cobrar cada promessa, enfim, que está de olhos abertos com o gigante que acordou e parece não estar mais com sono nenhum. Ainda que não queiram alguns, o Brasil é um só. Ficamos todos esperando o fuso horário do Acre, um Estado tão desconhecido pela maioria dos brasileiros para sabermos quem tinha vencido. Ê, Brasilzão danado e maravilhoso: imenso, com suas culturas diversas, com seus 200 milhões de habitantes falando uma mesma língua e querendo ter direito a alardeada riqueza de sua terra. É hora de entendermos isto. Dilma uma vez por todas!


Elisa Lucinda

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Não deixe que o seu voto se volte contra você, contra nós.

O voto nulo anula o eleitor, mas não só. Já está provado, principalmente nos países onde o neo nazismo e outros fundamentalismos avançaram, que, as forças conservadoras se aproveitam do voto nulo do eleitor que queria com ele fazer um protesto, para ganhar terreno e contar com a omissão para ser maioria, portanto, cuidado. Tenho visto muitos indecisos: “não sei se vou votar na Dilma”. Aí eu pergunto: por quê? Sua vida nesses 12 anos foi ruim?! Então a pessoa começa a se lembrar que não havia a delegacia da mulher há pouco mais de uma década atrás, a lei Maria da Penha, o sistema de cotas para negros, índios e estudantes de escolas públicas, nem o Brasil, era esse, interessado em política, telespectador do horário eleitoral e dos debates, telespectador ativo da TV Senado, por exemplo. E aí a pessoa descobre que vive num país melhor e descobre mais: Que não refletiu sobre o seu voto e no que ele pode gerar. Destas pessoas, todas declararam seu voto à Dilma no final. Portanto, não vamos arrefecer nessa reta final. Vamos conversar, informar, discutir. Hoje me apresentei em Vitória do Espírito Santo, num congresso do secretariado nacional e os mineiros detonam o Aécio. Fazem acusações sérias, graves e afirmam, inclusive, que os mineiros querem ver o diabo, mas não o querem no poder. Acho muito grave que apenas para ser contra o PT a gente entorne o caldo todo de uma democracia que está se construindo. Uma presidente que navega firme na sua dignidade (Vê-se que a Dilma não é dissimulada e não tem duas caras), que pode abrir a boca pra dizer que não tem rabo preso, que não tem parentes empregados no seu governo e que não teme investigações. Me parece o caminho mais certeiro em relação ao país que queremos construir. Tenho certeza que o país que vivemos hoje é o melhor do que o de 12 anos atrás. Não sou petista, nunca fui. Aliás eu nunca tive nenhum partido. Sempre me atraíram ideias, pessoas. Sempre me atraíram os agentes transformadores. É claro que esse governo tem defeitos, mas ele está avançando, sem retroceder, no quesito mais precioso que nós temos: O povo brasileiro.
Não deixe que o seu voto se volte contra você, contra nós.

Elisa Lucinda-atriz

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

HOJE É NOSSO DIA E VALE TAMBÉM REFLETIR!

Educação é algo bem mais amplo do que escola. Começa em casa, onde precisam ser dadas as primeiras informações sobre o mundo (com criança também se conversa!), noções de postura e compostura, respeito, limites. A minha mãe Luzimar Coringa e as minhas estimadas professoras Dona Ildete e Dona Mirinha e tantas outras mães e professoras da época eram exemplo da cobrança desses valores morais.


Hoje podemos dizer que estamos tristemente carentes de bons modelos, por uma série de razões, os pais de hoje se sentem perdidos em meio a tantos conflitos existentes, sem que sozinhos possam resolvê-los. Mas vamos à educação nas escolas: o que é educar? Como deveria ser uma boa escola? Como se forma e se mantém um professor eficiente, como se preparam crianças e adolescentes para este mundo competitivo onde todos têm direito de construir sua vida e desenvolver sua personalidade?
É bem mais simples do que todas as teorias confusas e projetos inúteis que nos apresentam. Não sou contra colocarem um computador em cada sala de aula neste reino das utopias, desde que, muito mais e acima disso, saibamos ensinar aos alunos o mais elementar, que independe de computadores: nasce de nós, nossos métodos, nossa autoridade, o entusiasmo e objetivos claros. A educação benevolente e frouxa que hoje predomina nas casas e escolas prejudica mais do que uma sala de aula com teto e chão furados e livros aos frangalhos. Estudar não é brincar, é trabalho. Para brincar temos o pátio da escola, a casa...
Sair do primeiro grau tendo alguma consciência de si, dos outros, da comunidade onde se vive, conseguindo contar, ler, escrever e falar bem (não dá para esquecer isso, gente!) e com naturalidade, para se informar e expor seu pensamento, é um objetivo fantástico. As outras matérias, incluindo as artísticas, só terão valor se o aluno souber raciocinar, avaliar, escolher e se comunicar dentro dos limites de sua idade.
No segundo grau, que encaminha para a universidade ou para algum curso técnico superior, o leque de conhecimentos deve aumentar. Mas não adianta saber história ou geografia americana, africana ou chinesa sem conhecer bem a nossa, nem falar vários idiomas se nem sequer dominamos o nosso. Quer dizer, não conseguimos nem nos colocar como indivíduos em nosso grupo nem saber o que acontece, nem argumentar, aceitar ou recusar em nosso próprio benefício, realizando todas as coisas que constituem o termo tão em voga e tão mal aplicado: "cidadania".

Corrigir isso pode ser muito simples. Basta vontade real nos municípios, estados e país. Infelizmente, isso depende dos políticos, depende dos gestores. Depende de cada um de nós, que os escolhemos e sustentamos muitas vezes por conveniência. Lamentavelmente!


Texto de Lya Luft.(Inspiração)

Nessa data especial, o parabenizamos por sua força e dedicação. Feliz Dia do Professor!


Poetisa Aldinete,  tomei a liberdade de publicar seu texto, escritos como esse não deve ficar no anonimato. 
Um abraço querida Sales.