sexta-feira, 1 de abril de 2011

TRILHA SONORA DO CARNAUBAENSE ZELITO CORINGA SERÁ APRESENTADA EM PORTUGAL

 Por Larissa Newton - A equipe que produziu o curta-metragem "O Poeta e a Bicicleta" comemora a aprovação do filme para participar da mostra competitiva do FESTin - Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa que acontecerá de 26 de abril a 1º de maio no cinema São Jorge em Lisboa, Portugal.
A equipe que produziu o curta-metragem "O Poeta e a Bicicleta" comemora a aprovação do filme para participar da mostra competitiva do FESTin - Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa que acontecerá de 26 de abril a 1º de maio no cinema São Jorge em Lisboa, Portugal.
O filme O Poeta e a Bicicleta foi um dos cinco documentários de curta-metragem produzidos como conclusão do projeto Curta Mossoró, realizado em 2010. Gravado em Mini DV, o filme é um documentário sobre o poeta Antônio Francisco, considerado um dos maiores poetas populares da atualidade.
Com 12 minutos de duração, o curta-metragem presta uma belíssima homenagem ao poeta mossoroense que também é bacharel em História, e é conhecido como homem simples, cordelista, ocupando desde 2006 a cadeira 15 da Academia Brasileira de Literatura de Cordel cujo patrono é o poeta cearense Patativa do Assaré. O filme mostra a história de Antônio Francisco, que antes de tudo é um cidadão que ama sua bicicleta e a utiliza para diversos fins. O poeta iniciou a sua trajetória no mundo literário aos 46 anos, e até hoje, aos 61, não abandona sua bicicleta companheira de suas andanças. O filme revela uma alma liberta e artística, cuja sabedoria profunda e amor pela natureza são uma emocionante lição de vida para que assiste ao filme. A trilha sonora original foi composta pelo músico Zelito Coringa, da cidade de Carnaubais.
Em pouco tempo o curta-metragem já tem uma carreira de festivais, nacionais e internacionais, e agora a equipe se prepara para viajar a Portugal para acompanhar a mostra competitiva do FESTin. "Será uma ótima oportunidade por proporcionar um contato com a indústria cinematográfica mundial e para o próprio poeta Antônio Francisco, que terá sua obra lançada na Europa", disse Thalles Chaves, um dos diretores do filme.
"Como se trata de um festival itinerante, existe a possibilidade do filme percorrer todos os países que fazem parte da comunidade da língua portuguesa, como Angola, Moçambique, Cabo Verde, Macau na China," concluiu.
A equipe produtora do curta contou com a participação de Thalles Chaves, que acumula diversas experiências em cinema quando estudou no Rio de Janeiro; de Gustavo Luz, diretor da Editora Queima Bucha e produtor de programas de TV; de Toinha Lopes, que é produtora cultural e trabalha com música, teatro, cinema e TV. O filme também contou com a colaboração de Mario Ilo, formando em Comunicação Social pela Uern e de Raimundo Batista, diretor do estúdio Sonora Pro Music, e das montadoras Edileusa Martins e Ana Lúcia Gomes da produtora Caminhos Comunicação e Cultura, responsável pelo projeto Curta Mossoró.



quinta-feira, 31 de março de 2011

Esquecer é uma necessidade. A vida é uma lousa, em que o destino, para escrever um novo caso, precisa de apagar o caso escrito.

MACHADO DE ASSIS

Águas de Março
Tom Jobim

É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é o laço, é o anzol

É peroba do campo, é o nó da madeira
Caingá, candeia, é o MatitaPereira
É madeira de vento, tombo da ribanceira
É o mistério profundo, é o queira ou não queira

É o vento ventando, é o fim da ladeira

É a viga, é o vão, festa da cumeeira
É a chuva chovendo, é conversa ribeira
Das águas de março, é o fim da canseira

É o pé, é o chão, é a marcha estradeira
Passarinho na mão, pedra de atiradeira
É uma ave no céu, é uma ave no chão
É um regato, é uma fonte, é um pedaço de pão

É o fundo do poço, é o fim do caminho
No rosto o desgosto, é um pouco sozinho
É um estrepe, é um prego, é uma ponta, é um ponto
É um pingo pingando, é uma conta, é um conto

É um peixe, é um gesto, é uma prata brilhando
É a luz da manhã, é o tijolo chegando
É a lenha, é o dia, é o fim da picada
É a garrafa de cana, o estilhaço na estrada

É o projeto da casa, é o corpo na cama
É o carro enguiçado, é a lama, é a lama
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um resto de mato, na luz da manhã

São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração

É uma cobra, é um pau, é João, é José
É um espinho na mão, é um corte no pé

São as águas de março fechando o verão,
É a promessa de vida no teu coração

É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um belo horizonte, é uma febre terçã

São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
pau, pedra, fim, caminho
resto, toco, pouco, sozinho
caco, vidro, vida, sol, noite, morte, laço, anzol

São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Eu vou ser contra

"Podem me crucificar, podem reclamar, mas,
se alguns direitos já andam restringidos,
nesse resto de democracia imagino que
a gente possa ao menos tentar se defender,
quando o Estado não nos protege, e votar
do jeito que parecer mais sensato"
Lya Luft

terça-feira, 8 de março de 2011

TOCANDO EM FRENTE





CANÇÃO DAS MULHERES


Que o outro saiba quando estou com medo, e me tome nos braços sem fazer perguntas demais.

Que o outro note quando preciso de silêncio e não vá embora batendo a porta, mas entenda que não o amarei menos porque estou quieta.

Que o outro aceite que me preocupo com ele e não se irrite com minha solicitude, e se ela for excessiva saiba me dizer isso com delicadeza ou bom humor.

Que o outro perceba minha fragilidade e não ria de mim, nem se aproveite disso.

Que se eu faço uma bobagem o outro goste um pouco mais de mim, porque também preciso poder fazer tolices tantas vezes.

Que se estou apenas cansada o outro não pense logo que estou nervosa, ou doente, ou agressiva, nem diga que reclamo demais.

Que o outro sinta quanto me dóia idéia da perda, e ouse ficar comigo um pouco - em lugar de voltar logo à sua vida.

Que se estou numa fase ruim o outro seja meu cúmplice, mas sem fazer alarde nem dizendo ''Olha que estou tendo muita paciência com você!''

Que quando sem querer eu digo uma coisa bem inadequada diante de mais pessoas, o outro não me exponha nem me ridicularize.

Que se eventualmente perco a paciência, perco a graça e perco a compostura, o outro ainda assim me ache linda e me admire.

Que o outro não me considere sempre disponível, sempre necessariamente compreensiva, mas me aceite quando não estou podendo ser nada disso.

Que, finalmente, o outro entenda que mesmo se às vezes me esforço, não sou, nem devo ser, a mulher-maravilha, mas apenas uma pessoa: vulnerável e forte, incapaz e gloriosa, assustada e audaciosa - uma mulher.

Lya Luft